Domingo, Outubro 2, 2022
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‘Nunca pensei que as minhas festas viessem a ser tão populares’: Entrevista com o Santo António

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Conhecido por organizar uma das melhores festas do ano, o Santo António é, no entanto, um homem discreto que gosta de escrever sermões. Ao Imprensa Falsa, falou pela primeira vez na influência do primo Simplício e admite que chegou a esconder a sua identidade por causa de uma dívida de vinte réis a uma empresa de aluguer de equipamento de som.

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[Imprensa Falsa]: Este ano, qual foi a sua marcha preferida?

[Santo António de Lisboa]: Todas. Tenho de gostar de todas, ainda por cima faço parte do júri.

[IF]: Sim, mas há sempre uma preferida

[SAL]: Para um santo não.

[IF]: Porquê sardinhas?

[SAL]: Olhe, é uma história curiosa. Quando dei a primeira festa, levei robalos, mas aquilo ficou muito caro, porque já naquele tempo iam os lisboetas todos, embora na altura fossem apenas uma centena. De maneiras que no ano seguinte levei sardinhas e o pessoal também adorou, até porque dá para pôr no pão. O robalo ficava quase todo de fora.

[IF]: A cerveja…

[SAL]: Como calcula, isso não fui eu. Foi o meu primo, a quem pedi para tratar das bebidas. Mas quando lhe falei estava a pensar em sumos. Quando vejo o Simplício a chegar-me com uma carroça cheia de barris, nem queria acreditar.

[IF]: E os casamentos…

[SAL]: Também foi o meu primo Simplício. Eu já me tinha ido deitar. No dia a seguir é que soube que a festa tinha sido de tal forma que se tinham casado quase duas centenas de pessoas. Depois virou tradição, sim.

[IF]: Também é conhecido por Santo António de Pádua…

[SAL]: Ohh… Isso foi por causa de dívidas. Mas a culpa também é do meu primo Simplício. Começou a esticar-se com o aluguer de equipamento de som e numa das festas o dinheiro que entrou não chegou para pagar tudo. Começaram então a aparecer os gajos da empresa de aluguer de som, até que um dia bateram-me à porta e perguntaram “o senhor é que é o Santo António de Lisboa” e eu, percebendo quem era, respondi “não senhor, sou o Santo António de Pádua”.

[IF]: Isso para um santo…

[SAL]: Eu na altura ainda não era santo e de qualquer maneira, quando chegou a altura de beatificação, tive de liquidar tudo. Também só tinha isso e um IUC atrasado, salvo erro de 1198 ou 1199, mas do carro do meu primo Simplício, que estava em meu nome.

[IF]: O que dizem os seus colegas santos sobre o facto de ser conhecido pelas suas “festas”?

[SAL]: Pedem-me para os meter na lista VIP ou para arranjar pulseiras, depois explico-lhes que são festas populares, abertas a todos, e eles viram as costas.

[IF]: Desiludidos?

[SAL]: Por um lado sim, claro, mas é sobretudo para não terem de ouvir o famoso Sermão de Santo António aos Penetras das Festas, que foi escrito por mim quando me pediram a primeira vez para arranjar pulseiras. Julgam que eu sou o relações públicas da Pacha, ou quê? Mas que raio de mundo é este em que… mas onde é que vocês vão? Então não terminam a entrevista?

 

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