Na noite da passagem de ano, o fogo-de-artifício é sempre muito bonito. Aquele efeitos de luz nos céus, o som, é tudo bastante espectacular. O problema é quando chega ao fim, o que costuma ocorrer com um foguete especialmente forte a que se dá o nome de peido mestre.
Nessa altura, já com tudo queimado, apodera-se de todos aquela sensação de “sim, foi divertido mas podia ter saltado para um pacote de Capri-Sun cheio de ar, teria poupado muito dinheiro”.
Segundo me conta um amigo, é como ir ao bataclã ou àquelas casas nocturnas de má fama. Lá é tudo muito bonito e incrível, mas depois, quando se faz as contas, é que são elas.
Ele fala-me em 50 euros para uma dança privada. A meio da actuação está tudo bem, como recordação é que não é grande coisa. Grosso modo, trocou-se 50 paus por 1.
Adiante, havia de ser lindo se entre os efeitos lindíssimos do fogo-de-artifício aparecesse o preço daquela cana em particular. Imaginem comigo… o foguete a assobiar pelo ar – fffffffff – de repente explode – póhhhhhhhh – e brilha então no céu: 199,99€.
Era tudo cá em baixo danado. O quê? Aquilo custou 200 euros? Nisto saem mais uns 100 foguetes iguais. Tudo a atirar água para a caixa da pirotecnia. “Na-na-na… acabou-se a festa, se quiserem podem enfiar Mentos em garrafas de Coca-Cola.”
Fala-se hoje, mais do que alguma vez, no medo que os animais têm do fogo-de-artíficio. Os bichos já podiam ter percebido que não é nenhuma guerra e que ou o ano é novo, ou há festa na aldeia, ou chegou a droga. Talvez tenham percebido, porque eu creio que eles fogem é de nos ver estoirar – literalmente – muitos milhares de euros no ar.
O mais engraçado, porém, é que os espectáculos de fogo-de-artíficio, nomeadamente os do réveillon, aparecem sempre como espectáculos gratuitos. De facto, não é preciso ir a uma superfície de bricolage adquirir as canas, mas daí a não custar nada ainda vai uma diferença grande.
Mas é claro que, mesmo sabendo de tudo isto, é difícil resistir àquele espectáculo tão estrondoso quanto efémero. Que beleza. Como é que eles fazem aquilo? Depois lembro-me do que se gasta em fogo preso e fujo com os cães. Estou desde a meia-noite do dia 1 aqui, sem saber onde, à espera que me venham buscar.
*Pela primeira vez na história da Humanidade, o título de uma crónica é o som de um foguete.


