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Teste ao teste à Covid-19

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São já muitos os portugueses que tiveram de fazer o teste à Covid-19, alguns até já várias vezes, mas são também muitos aqueles que ainda não sentiram o prazer de ter uma zaragatoa enfiada pelas narinas até ao cu da cabeça, lá onde se guardam as memórias e alguns números de telefone. São esses que importa esclarecer. 

Não querendo de modo algum ferir o suspense – mas simplesmente porque há quem tenha onde estar e não pode ficar para ler tudo – quero avisar desde já que não é tão difícil quanto parece. 

Depois de marcado, inicia-se um processo de grande imaginação sobre como será aquilo tocar lá atrás, não se sabe muito bem onde. Uma zaragatoa é, grosso modo, um cotonete que deu um pulo. É um cotonete sueco. Um cotonete que vai ao ginásio, que injectou esteróides anabolizantes. É a única haste do género que, em querendo, podia jogar basquetebol. É muito difícil encontrar roupa para a zaragatoa.

Ao contrário de outras actividades, neste caso o tamanho importa bastante, na medida em que com um cotonete só se conseguia ver se os macacos tinham Covid. Mas, por outro lado, por ser tão comprido, tememos que o profissional de saúde perca o controlo e a zaragatoa apareça na zona da nuca. Começam aqui as incertezas, mas graças a uma já boa década de livros de auto-ajuda e coaching, conseguimos ver os riscos, claro, mas também muitas oportunidades. Os riscos são, por exemplo, perder algumas receitas que tínhamos na cabeça. A grande oportunidade é sair do gabinete médico a falar fluentemente russo. 

De repente, chega o grande momento. Como também nos ensinam os gurus do optimismo, é importante ter consciência, naquele momento, que há quem esteja pior do que nós, nomeadamente o técnico que vai recolher o nosso muco. Se pensássemos que aquelas pessoas passam várias horas a introduzir varas em fossas nasais de pessoas que invariavelmente fazem a mesma pergunta – é muito chato? – não aceitávamos apenas a zaragatoa mas uma caixa das zaragatoas e pelo rabo. Se me perguntarem se custa fazer o teste à Covid-19, diria que sim, muito, mas apenas a uma das duas pessoas na sala. 

Entretanto, quando damos por ela, já foi feita a colheita. Não só não foi difícil como até se regista uma sensação de algum prazer. Isto é particularmente frequente em ranhosos, não desfazendo, para quem uma zaragatoa é uma espécie de limpeza da chaminé. Fica a fumar-se muito melhor. O que se perdeu em virgindade nasal, ganhou-se em trânsito.

Em alguns casos, só minutos depois do exame é que se começam a sentir algumas impressões. Um ligeiro desconforto. É como se tivéssemos inalado o rabo de um esquilo. É impossível não saber se já alguma vez inalou o rabo de um esquilo porque fica um esquilo inteiro pendurado numa narina. 

Mas em geral, pesando tudo, não custa nada. Sobretudo se o teste for gratuito, porque nos casos em que se tem de pagar, então a zaragatoa será apenas a segunda coisa que lhe enfiaram naquele dia. É uma espécie de anestesia. Depois de pagar, dificilmente se sente mais alguma coisa: “Não quer pôr outras duas zaragatoas nos ouvidos, só para o caso de o Covid ter visto que ia pelas narinas e tentar pirar-se pelas traseiras?”