Publicidade

Presidenciais, candidato a candidato

Vamos começar com Eduardo Baptista, o primeiro a aparecer no boletim de voto. É uma figura misteriosa, cujo pensamento desconhecemos. Tem estado muito bem nos debates, desde logo porque não foi a nenhum e isso é um ponto a seu favor. Tivessem outros candidatos seguido o seu exemplo. Baptista conseguiu aparecer no boletim de voto apresentando apenas onze assinaturas, das quais apenas seis eram válidas. O Tribunal Constitucional, tribunal superior, do qual nem se pode recorrer, não deu conta, logo ali, que deviam faltar cerca de 7490 assinaturas das 7500 exigidas. Os outros candidatos chegam com resmas e mais resmas de papéis, este chegou com um envelope e também passou. 

Adiante. Marisa Matias. Candidata dos mais jovens, meio rebeldes, completamente revoltados com o sistema, mas que daqui por duas décadas estarão bem instalados a votar na Iniciativa Liberal. Marisa é a Bimby do Bloco de Esquerda. Faz tudo. É um notável robô de política. É curioso que o Bloco de Esquerda defende a rotatividade, a limitação de mandatos, as oportunidades, mas quando vamos a ver, só tem Catarina Martins e Marisa Matias. Como candidata, foi apenas picar o ponto. Às tantas já nem deve saber bem em que eleição está. Isto serão as europeias? Espera, que dia é hoje? Seja como for, terá sempre um resultado, o que já não é mau. O Eduardo Baptista não vai ter, por exemplo. 

Próximo. Marcelo Nuno Rebelo de Sousa. O primeiro presidente eléctrico. Portugal está muito à frente em muitas coisas, esta é uma delas. Um presidente eléctrico, quando todos os outros países continuam com fósseis. Candidata-se a um segundo mandato, mas para os eleitores parece que se candidata a um décimo quinto. Muitos portugueses só queriam agora um mandato de Cavaco Silva, antes de Marcelo ir para o seu segundo. Para descansar um bocado. Para conseguir respirar. Com Cavaco é possível estar uns anos sem ouvir falar no Presidente e está toda a gente a precisar disso. 

Siga. Tiago Mayan. Não deixa de ser irónico que o candidato da Iniciativa Liberal tenha nome de Porsche. Porsche Mayan, ali uma mistura entre o Macan e o Taycan, ou seja, o primeiro SUV 100% eléctrico da marca alemã. Estou absolutamente convencido de que, se o apelido de Tiago fosse Sandero ou Clio, era o candidato do PCP. Quanto a prestações, pode ter conseguido ir dos 0 aos 10% em 15 dias. É mau para um Porsche, mas extraordinário para um candidato da Iniciativa Liberal. Ainda muitos eleitores pensam que se a Iniciativa Liberal governasse teriam de pagar o ar que respiram à família Mello, que havia ficado com a concessão do oxigénio por 30 anos, mas a verdade é que por um alívio de impostos os portugueses até davam o rabo. Podia não ser o deles, porque são espertos, mas convenciam alguém mais ingénuo. 

Quem vem a seguir? André Ventura. É relativamente consensual, entre todos os portugueses, que o país está à beira do abismo. Ora, Ventura é o passo em frente. Não se pode dizer que não seja uma saída. O candidato do Chega defende uma quarta República. A verdade é que até o iPhone já vai no 12. Eu defenderia uma quarta República e uma quarta República Pro. E uma quarta República Mini. André Ventura consegue o apoio, sobretudo, de um eleitorado descontente com o país, com a política, a economia e a justiça. Esses, depois de se desiludirem com o Chega, vão precisar de um novo partido, o Arre Porra que é Demais. 

Depois temos Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans. Boa campanha. Tem sido simpático com praticamente todos os adversários. Na verdade, Tino só perderia a cabeça num debate com Fernando Medina, que deu cabo da calçada toda, em Lisboa. Sendo calceteiro, Tino leva vantagem sobre todos os candidatos, na medida em que lida muito bem com calhaus. Pode dar muito jeito em Belém. Uma vitória de Tino seria sempre uma pedrada no charco. Talvez por isso, o candidato do norte não pára de subir nas intenções de voto, com muita gente a acreditar que vai conseguir obrigar Marcelo a uma segunda volta. Claro que há aqui um problema complicado de seriedade e de preparação para exercer o cargo. Refiro-me a Marcelo, naturalmente. O Tino nasceu para o lugar. 

Continuemos. João Ferreira. É o candidato apoiado pelo PCP, que podia perfeitamente ser apoiado pelo CDS. O presidente do CDS, ao pé de João Ferreira, parece um sindicalista. Parte da desgraça do CDS em sondagens pode dever-se a uma transferência de votos para João Ferreira. Também vai a todas. Imagino João Ferreira numa carrinha, com um escadote no tejadilho. Na lateral poder ler-se “J Ferreira, candidaturas, LDA”. Alguém que não quer, por exemplo, ser escolhido para administrador de condomínio, liga para o J Ferreira. 

Por fim, Ana Gomes, que aparece nestas eleições como rodapé do boletim. Os últimos são sempre os primeiros, sendo que neste caso o primeiro nem sequer é candidato, como já referimos. Com Ana Gomes em Belém, as audiências passavam a ser no Estabelecimento Prisional da Carregueira. No fim, só saía a senhora Presidente da República, se é que me entendem. Não é difícil adivinhar quem seria o Chefe da Casa Civil de Ana Gomes. O hacker Rui Pinto, claro. Poupava-se aqui algum tempo, porque Ana Gomes começava a vetar as leis ainda em rascunho, sem sequer terem passado pelo Parlamento. Até podia chegar mesmo a vetar apenas uma ideia para uma lei, que alguém simplesmente tinha escrito numa nota, no seu smartphone.   

- Advertisment -

Últimas