“Senhor Luíz Vaz de Camões, gabinete 5, Luís Vaz de Camões, gabinete 5”, acabam de chamar no Hospital Beatriz Ângelo. Este utente feriu-se numa batalha em Ceuta, ainda no século XVI.
“Eu não quis ser assistido lá porque pensei ‘isto aqui é o terceiro mundo, ainda para mais sou do outro lado, o mais certo é lixarem-me a outra vista’, de maneiras que me meti a caminho de Lisboa”, explica Camões, “mal sabia eu que ia esperar séculos”.
Recorde-se que, quando chegou ao hospital, este utente recebeu a pulseira verde, isto apesar da gravidade dos ferimentos. “Disseram-me que se isto no olho fosse Covid talvez levasse com a pulseira amarela”, relata.
Assim se explica a famosa pala no também poeta. “Foi outro utente que também estava à espera, um corsário que tinha ficado com a perna entalada entre duas naus e tinha palas com ele”, acrescenta Camões, “andam sempre com palas e próteses de madeira”.


