Editorial | Lamentavelmente, o mundo não está a acabar

Lamentavelmente, o mundo não está a acabar como tem sido anunciado pelo engenheiro Guterres, que só quer vender uns terrenos que tem em Marte, umas coisas que ficaram de uns avós. A ver pelas notícias, já devíamos ter água pelo pescoço e para encontrar gelo era preciso ir a uma bomba de gasolina. 

Mas calma. Há um problema muito grave de poluição e é esse que tem de ser combatido com todas as forças. Mas não é para arrefecer o planeta, é simplesmente para acabar com a poluição e com os efeitos directos que ela tem na saúda e na qualidade de vida das populações. Esta consequência já é um dado adquirido, é científico e consensual entre todos. Ao contrário da influência do Homem no aquecimento Global, esse já um ponto mais discutível. 

Que o planeta está a aquecer, está, é um facto. Mas a responsabilidade maior é do Homem? Se 4 vulcões entrarem ao mesmo tempo em erupção, a Humanidade pode ficar três ou quatro anos sem Verão. Isto para não falar em tempestades solares e numa imensidão de fenómenos extraordinários e de dimensões incríveis que tornam o Homem uma formiga. 

Mais uma vez: Não se quer com isto dizer que não é preciso combater a poluição, as emissões, o desperdício, o plástico… nada disso. É preciso combater isso com unhas e dentes, todos os dias. O que não é preciso dizer é que isso é para baixar a temperatura do planeta, porque isso é, vá lá, um absurdo. Ainda que seja um dia confirmado, é mais lógico combater a poluição para respirar um pouco melhor, que é assim uma coisa mais imediata, mais palpável. 

Suponhamos que um dia, séculos à frente, há um processo de arrefecimento do planeta e a temperatura começa a baixar, tudo a congelar. Será que a Humanidade deve então começar a montar fábricas e a acelerar os seus automóveis a gasolina? Isto dito assim, parece estúpido. Mas dito ao contrário já parece ciência. 

Eu sei que era mais fácil e cómodo dizer que o mundo estava a acabar, pois tal fenómeno, parecendo que não, resolvia muita coisa. É que a ideia da extinção da espécie é uma coisa chata, mas depois uma pessoa olha para a pilha de contas para pagar e… afinal há coisas piores. O que acontece, na verdade, é que o planeta está só a ser planeta… aquece, arrefece, os polos isto, os polos aquilo, depois contrai, expande e mexe, remexe, se encosta, se enrosca, se mostra para mim, me agarra, me morde, me arranha, não mude que eu quero você sempre assim. 

Poderá existir, sim, uma pequena influência do Homem nestes fenómenos planetários, é verdade – os cientistas têm estado a trabalhar nisso – mas é mais fácil começar a combater a poluição na Terra só para não respirar caca e comer cocó. É mais certo. Se isso começar a arrefecer o planeta… melhor. Desde que depois não fique frio demais. Lá está.