Segunda-feira, Julho 4, 2022
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Da cauda para as ventas da Europa

As previsões económicas para Portugal são bastante boas. Incríveis, devo mesmo dizer. Se repararmos, as pessoas nem estão a ligar. É demasiado absurdo. O país que mais cresce na Europa? Aquilo que me ocorreu imediatamente dizer foi para virarem o gráfico, porque quando se imprime sai muitas vezes ao contrário e uma pessoa não nota.

Mas a verdade é que se confirma. Há seguramente muitas explicações para a proeza, entre elas a inflação e a invasão da Ucrânia, com consequências particularmente graves para alguns países, mas isso agora não interessa para rigorosamente nada. Não nos vamos tornar negacionistas do crescimento económico, com teorias da conspiração. Mas qual inflação? Os preços sempre subiram. Com o que se paga hoje por um café, há 50 anos comprava-se o estabelecimento e podíamos tirar os cafés que quiséssemos. É uma perda de poder de compra substancial. É a diferença entre dizer “boa tarde, queria um café” ou “boa tarde, queria o café”.

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Ora bem, é que não é só o crescimento. É o crescimento superior a todos os outros países. Portugal vai crescer mais do que a Irlanda. Por lá já se fala, contam-me, no “modelo de crescimento português”, com a oposição a criticar o governo por não seguir as boas práticas lusitanas em matéria económica. Também nos Países Baixos – e agora são mesmo baixos, pelo menos para Portugal – a conversa mudou. Chegou o momento de dizer ao senhor Dijsselbloem que não se deve gastar tudo em copos e permanentes no cabelo. Pois é.

Registe-se que a previsão da Comissão Europeia, relativamente ao crescimento da economia portuguesa, é ainda mais optimista que a do Governo, que é por definição um drogado, vendo umas coisas que não existem e dizendo outras que não fazem sentido.

E não venham dizer que é circunstancial e que a Europa está em crise e que apesar de tudo o crescimento é modesto. Nós já tivemos desse lado e nunca ofendemos ninguém. É preciso saber perder.

Mas adiante, porque há pessoas que querem estragar o ambiente mas nós não deixamos. Como sempre, esta posição de Portugal na liderança do crescimento económico da União Europeia traz com ela bastante responsabilidade. Desde logo, podemos ter, de repente, que resgatar um país. Parece que estou a ver, a qualquer momento, a Susana Peralta a entrar pelo ministério das Finanças alemão, com um indivíduo do FMI e outro do Banco Central Europeu. “Vamos ter de fazer aqui alguns cortes, estas contas estão uma miséria, nós não metemos dinheiro nisto assim”, começa por dizer Peralta, antes de se atirar aos burgueses die telearbeit.

Entretanto, num comentário mais preocupado até para conter um pouco a euforia, temos o problema da Iniciativa Liberal. Isto é como estampar o carro à saída do stand. Ainda cheirava a novo. Não confirmei, mas dizem-me que os liberais já puseram os assentos parlamentares à venda no Cantinho do Vintage. €650 cada assento, mas se levar os 8 fica mais barato. O Guimarães Pinto também já reconheceu que é melhor falir a IL e abrir um Iniciativa Chucha, mais pequena, ao lado. Outra solução passa por converter o partido numa “firma” de outdoors, tanto que onde se via o nome do partido, está agora “este espaço pode ser seu” ou “se está a ler isto, outras pessoas vão ler”, com um número de telefone à frente.

Enfim, saltámos da cauda para as ventas da Europa, como uma pulga. Estamos na liderança do crescimento económico. Portugal com a responsabilidade de sustentar esta cambada de preguiçosos que, em lugar de trabalhar, prefere ficar a mamar na nossa teta. Mas, mais uma vez, não esperem resgates antes de levarem a cabo as reformas necessárias, indo ao encontro do modelo português, o único que cresce quando é preciso e aquele que se revela verdadeiramente resiliente. Comecem por fazer rotundas, por exemplo. Depois vemos o resto.

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