Terça-feira, Fevereiro 7, 2023
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Agora vão fixar nómadas…

Como se não bastassem os problemas que já temos em mãos, sabemos agora que o Governo quer levar a cabo políticas para fixar nómadas digitais em Portugal. É preciso dizer com toda a clareza ao Governo: no dia em que se fixarem, deixam de ser nómadas. Ou seja, este é um país que só está bem a destruir os sonhos das pessoas.

Imaginem o nómada digital, todo feliz, a passear pelo mundo, orgulhoso de poder trabalhar onde bem lhe apetece, de repente passa por Portugal e fica com uma perna presa na armadilha do urso. Acabou-se a viagem, agora ficas aqui.

A intenção do Governo pode ser boa. São sempre todas. Mas não dá para fixar nómadas. É como pedir sushi mas querer, ao mesmo tempo, que o peixe continue a nadar feliz no mar, com os seus colegas peixinhos.

Já sei o que me vão dizer: Eles são nómadas mas têm de ter uma base qualquer, uma residência. Certo. E então os nómadas digitais, que podem escolher qualquer canto do mundo, vão escolher assim um cantinho em que se paga mais!? Isso não são nómadas, são camelos, que também fazem longas caminhadas.

Já sei novamente o que me vão dizer: Talvez a forma encontrada pelo Governo para estragar a vida aos nómadas, fixando-os, seja justamente um ou outro benefício fiscal. Bom, então nesse caso, aquilo que os portugueses têm de fazer é sair e voltar a entrar no seu país, tipo reset. Porque o nosso galo é termos nascido portugueses. Se chegássemos aí franceses nem se estava mal.

Por fim, a pergunta mais importante: o que é isso de nómada digital? Não, eu sei. É alguém que pode fazer o seu trabalho em qualquer lugar, sim. Mas isso não é uma capacidade que também assiste, por exemplo, ao padeiro? Desde que tenha farinha e um forno… Ou será que todo o pão do mundo vem de Mafra?

Eu percebo. O padeiro pode fazer o pão em qualquer lado, mas está limitado na venda. Não pode estar na Comporta a vender pão alentejano em Tóquio. Mas então e as mangas que chegam de avião? Eu posso plantar mangas na Comporta, metê-las num avião em Beja e vendê-las no Canadá.

“Mas tens de plantar as mangas na Comporta” – Sim, e também tenho de plantar o nómada digital em algum lugar, como se vê. Pronto. É isso, não há nómadas. Só há indivíduos que podem andar sempre a viajar. Mas aí, minhas senhoras e meus senhores, ninguém bate as tripulações dos aviões.

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