“Não pedi, nem pedirei para sair”, garante mais uma vez a ministra da Saúde. Anda a dizer que não se demite praticamente desde o dia em que tomou posse, quando já tinha adaptado o juramento: “Eu, abaixo-assinada, afirmo solenemente e pela minha honra que não me demitirei nem por nada das funções que me são confiadas.”
Mas isto foi na tomada de posse. Hoje em dia até já atende o telefone com garantias – Está, não me demito, quem fala?
Sabíamos do problema muito sério com as bactérias multirresistentes nos hospitais, mas acho que nunca ninguém pensou que se pudesse vir a ter uma no ministério. A ministra já assina Anapaulococcus martincoli.
Lá chegará o dia em que já só restam a Ana Paula e o Luís no mundo e então o Luís lá lhe diz que “se calhar, Ana Paula, era melhor demitires-te”. A ministra compreende e entrega o pedido de demissão, mas antes de dizer que aceita, o Luís também tomba.
Há outra teoria, atenção. Há quem diga que a ministra da Saúde já se demitiu há muito tempo, mas foi para lista de espera. Está a aguardar. Já foi adiada várias vezes. Uma das datas calhou no dia da greve geral.
O caso agora é sobre o socorro. Um drama com muitos anos e várias reclamações de quem trabalha na área. Não há macas nem ambulâncias suficientes. Espera-se, portanto, muitas horas por ajuda e já há vítimas, mais vítimas, desta incompetência toda. Lamenta-se, claro, mas é injusto dizer que o Governo não andou totalmente empenhado na necessidade de disponibilizar, no mais curto espaço de tempo, viaturas rápidas. A verdade é que a F1 está de regresso a Portugal!
O socorro pode estar a demorar um pouco mais a chegar, mas pode aparecer por aí o Max Verstappen para levar o avô Simplício. O monolugar é apertado, sim, mas não há nada mais rápido. Se o avô não quiser ir ao colo do Max e preferir esperar pela ambulância que acaba de sair do Japão em direcção ao local, tudo bem. É com ele.
Esta semana, no Parlamento, o primeiro-ministro respondeu a algumas questões sobre o caos na Saúde e fez anúncios que poderão ter acabado com a gripe. A pressão já deve ser menor, porque há muitas doenças que terão dito que não estão para isto. É desproporcional. É David contra Golias. O Governo tem anúncios muito fortes.
Por exemplo, está aprovada a aquisição de 275 novas viaturas para o INEM, num investimento de quase 17 milhões de euros, o maior de sempre. Este anúncio só teve um problema. Com o entusiasmo, muitas pessoas passaram mal e ainda estão à espera do Lando Norris.
Certo é que agora liga-se para a emergência médica, explica-se a situação e ouve-se do outro lado “sim senhor, vamos lá então aqui encomendar uma ambulâncianzinha para o senhor utente… quer as luzes em azul ou encarnado?”
No fim, com tudo escolhido, “pronto, agora é só aguardar, eles estão a demorar uns seis meses para entregar as viaturas, depois é a homologação, que costuma demorar outros tantos, mas passa a correr, vão falando com o paciente até lá, e dando água, porque a água dá para tudo, as melhoras”.
Se isto já era bom, o chefe do Governo ainda anunciou mais. Disse que “em reunião com a ministra da Saúde e a ministra do Trabalho, foi decidido criar uma resposta rápida com mais entre 400 a 500 camas em unidades intermédias para tirar do sistema hospitalar os casos sociais”.
Melhor que isto só se dissesse que estas unidades intermédias ficam na Gronelândia, entretanto adquirida por nós, com os fundos do PRR. Trump deixou-se dormir e nós ficámos com aquilo. “Resposta rápida”, diz o Luís, quando está a anunciar tudo em plena crise. É tudo mesmo muito rápido, é. Se calhar nem se está a morrer. Estamos só desmaiados, por causa das forças G. Vai mais devagar, Luís.


