Opositores da eutanásia lembram que há muita gente, mesmo depois de morta, que aparece para votar

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Medida pode ser considerada eleitoralista, com os partidos favoráveis à eutanásia a tentar conquistar os votos dos eleitores falecidos.

Num dia em que se vota a despenalização da eutanásia, no Parlamento, os opositores desta prática de morte medicamente assistida lançam um derradeiro argumento e lembram que, em Portugal, muitas pessoas, mesmo depois de mortas, aparecem para votar.

“Quantas, quantas pessoas não morreram há mais de quinze anos e não falham um acto eleitoral, quantas!?”, interroga-se Simplício, que está a manifestar-se em frente ao Parlamento, esta tarde.

“Há pessoas que faleceram antes da adesão à União Europeia e até nas europeias votam…”, acrescenta.

Certo é que é muito difícil, como concordam os especialistas, ter certezas em relação a estados irreversíveis num país em que ocorrem milagres destes.

Sobre esta questão, o Imprensa Falsa tentou contactar os responsáveis pela lei que vai a votos. Em geral, a resposta é de que ir votar é um dever de cidadania que merece sempre um elogio, mas um elogio ainda maior quando os eleitores têm mais dificuldade, como é o caso dos eleitores falecidos.

“Penso que já se consegue ter rampas de acesso em todas as mesas de voto, mas nestes casos não sabemos se é suficiente”, conclui um deputado que não quer dar o nome porque não sabe se não disse uma asneira.

A verdade é que há também quem considere esta despenalização da eutanásia como uma medida eleitoralista que procura ir buscar votos aos eleitores que, apesar de já terem morrido, nunca se abstiveram.

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