Sexta-feira, Janeiro 30, 2026
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Crónica de um debate entre todos os candidatos presidenciais e mais alguns.

Encontraram-se terça-feira à noite, na RTP, os onze candidatos à presidência da República para o único debate com todos. Com todos, calma… Vejo-me obrigado a começar com uma crítica ao canal público. Penso que também lá deviam estar os candidatos excluídos mas que vão aparecer no boletim de voto. Iam, mas não podiam dizer nada. Ficavam só ali sentados.

O debate começou às dez horas da noite e terminou à meia noite e meia. Jorge Pinto esteve para desistir ali mesmo, porque normalmente às nove já está na cama. Entre desistir ontem ou daqui por uns dias, mais valia ir-se deitar e, para além dos votos, também dava o seu tempo a António José Seguro, que precisa para explicar aqueles pactos todos.

Aliás, o candidato apoiado pelo PS até chegou a ser deselegante para o moderador Carlos Daniel, tendo passado momentaneamente para último nas sondagens, porque ninguém fala mal com o Carlos Daniel, que é a quem sai sempre o brinde de moderar estas autênticas concentrações de Faro de candidatos. Os jornalistas que fizeram os frente-a-frente ainda estão a recuperar. Carlos Daniel fez sozinho um frente-a-frente-a-frente-frente-a-frente-a-frente-frente-a-frente-a-frente-frente-a-frente. Mais respeito.

O confronto começou com o caso da Venezuela e André Ventura perguntou se achavam mal terem ido buscar um ditador. Nesse exacto momento, começaram-se a ouvir explosões próximas e helicópteros sobre o local onde decorria o debate. Valeu Gouveia e Melo ainda ter amigos na Força Delta e acabaram por ir embora sem levar o líder do Chega, que até já falou em três salazares. E não consta que dê nas drogas, mas lá que vê coisas que não existem, lá isso vê.

A Força Delta acabou por não levar Marques Mendes em troca de Ventura, como Gouveia e Melo lhes terá pedido. O Almirante voltou a atacar o candidato apoiado pela AD por causa dos interesses. A cair nas intenções de voto, segundo as sondagens, o Almirante está em modo kamikaze. E pode resultar. Marques Mendes não tarda desiste para Gouveia e Melo na condição de ele se calar com aquela conversa, porque aquilo afugenta muita clientela.

Por falar em sondagens, se aparece outra boa para Cotrim de Figueiredo, o senhor arranca para Belém e instala-se, dando-se posse a ele próprio e sendo o seu primeiro acto cancelar as eleições, porque não é preciso. Poupa-se uns milhões e a maçada de se ir votar. Lá na campanha até já têm um sino que toca quando sai outra sondagem. Faz Cotrim-trim.

Jorge Pinto meteu-se com o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, antes ainda de se ir deitar, e só faltou Cotrim dizer-lhe que estava a olhar para um aviário, porque dentro dele cabiam 18 Pintos, a ver pelas sondagens.

Entretanto, Catarina Martins e António Filipe também foram questionados sobre uma possível desistência que garantisse um candidato de esquerda na segunda volta. Catarina Martins deve-se ter perguntado qual candidato de esquerda, só se for o Pestana, do sindicato, que fez da candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda parecer do CDS. Mas António Filipe ainda ponderou desistir ali mesmo para alguém que o levasse a casa, porque também não contava que fosse até tão tarde e àquela hora não chama táxis porque os motoristas têm direito ao descanso.

Humberto Correia é que não desiste e coloca a fasquia alta: ter mais votos do que assinaturas. Na verdade, até agora só há um candidato que já anunciou que desiste. É o Manuel João Vieira. Mas só se ganhar.

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