Do direito de Ronaldo a revoltar-se um bocadinho

O que terá sentido Cristiano Ronaldo quando se viu obrigado a justificar-se, nas redes sociais, por ter atirado a braçadeira de capitão ao chão? O homem faz tudo o que pode pela sua selecção. Apesar de ser uma equipa, pode dizer-se que numa ou noutra situação já alcançou conquistas praticamente sozinho. Hoje, no fim do jogo, ao ver que o golo da vitória não foi marcado, enervou-se e atirou o que tinha à mão para o chão. Se tivesse as chaves de casa no bolso, provavelmente tinham ido elas, mas os calções, lamentavelmente, não têm bolsos.

Ronaldo não atirou a braçadeira ao chão, no sentido de atirar a braçadeira ao chão. Atirou o que tinha à mão, porque estava legitimamente revoltado. Haverá porventura sanções e o seu seleccionador pode e deve lembrá-lo de que contar até 10 é melhor. Mas dos adeptos? Admoestações? Como se tivesse arremessado o juiz da partida para trás do estádio?

A bola entrou dez vezes naquela baliza. Entre a bola e a linha de golo cabia o navio que estava encalhado no Suez. O homem estava revoltado. Pouco revoltado, aliás, para o que devia estar. Eu teria feito da braçadeira uma gargantilha nova para o senhor árbitro, com todo o respeito. O jogo estava nos últimos segundos. Ronaldo foi saindo, não fosse marcar outro golo para o boneco. Qual é a crise? Vale a pena nós, que teríamos feito pior, lembrá-lo das boas maneiras em campo? Não há a mínima atenuante para um atleta como este animal de bola que sempre emprestou todas as suas conquistas pessoais à equipa nacional?

Ainda por cima, graças ao erro do árbitro, conseguimos empatar, que é aquele resultado que nos leva sempre muito longe. Podia, portanto, ter acabado tudo bem. Mas não, houve quem se lembrasse de vir dizer ao Cristiano Ronaldo que não pode atirar a braçadeira ao chão, como se ele não soubesse. E como se ele tivesse atirado a braçadeira ao chão. Eu não vi nada.

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