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Editorial: A sorte do Mustafa

ng6603730O país assistiu esta semana à fúria de Mustafa, o proprietário de um restaurante de kebabs no Cais do Sodré, em Lisboa. Embora gravado na vertical, o vídeo permite ver este curdo a aviar uma dezena de jovens que queriam kebabs depois de sair da boîte, mas que acabaram por comer frutinha, nomeadamente peras e bananos, porque o Palácio do Kebab ainda não tinha aberto as suas portas.

Antes de mais, em abono do grupo de mitras, é importante reconhecer que um estabelecimento de junk food encerrado à porta de uma discoteca é uma tortura, mas a tortura ainda é maior quando a porta está semiaberta, como era o caso. Isso então, é de uma pessoa tentar a sua sorte e atirar-se ao pescoço do curdo.

Mas os jovens não tiveram sorte. Munido da sua faca de fatiar a popular espetada turca, Mustafa levou todos à frente e não só não serviu kebabs como ascendeu à figura de herói nacional, merecedor da mais alta condecoração do Estado. O restaurante, entretanto, não pára de receber apreciações positivas nas redes sociais e o Palácio do Kebab já sonha com uma estrela Michelin. A verdade é que já há clientes a ver estrelas.

Sorte, na verdade, teve Mustafa. Se em vez de curdo e proprietário do restaurante fosse bófia e tuga, a esta hora já estaria deprimido, em casa, a reler o seu processo disciplinar. A defesa, claro, teria sido desproporcional. Eles só tinham uma arma e uma faca, portanto a polícia teria de se defender, no máximo, com um Código da Estrada e tinha de ser de bolso, porque se fosse dos mais pesados já era desproporcional. Entretanto, o Tribunal decidiria qual a indemnização que o agente Mustafa teria de pagar às vítimas.

É pena o Palácio de Kebab ter negócio pela frente, porque Mustafa podia bem virar justiceiro. Quando fosse necessário repor a ordem, podíamos chamar o Mustafa, porque um Mustafa vale mais do que 10 mil polícias de mãos atadas.

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