Domingo, Outubro 2, 2022
InícioOpiniãoTudo é mentira no Príncipe Real

Tudo é mentira no Príncipe Real

Bonita a história do cedro-do-Buçaco, no Príncipe Real. É sobretudo bonita se precisarmos de encher chouriços num percurso pelo centro da cidade com quem não temos grande intimidade e depois de se esgotar o tema da meteorologia. O cedro-do-Buçaco dá conversa até se chegar ao destino, mesmo que se apanhe trânsito. E provavelmente fica alguma coisa por contar, altura em que se pede um e-mail para mandar o resto da história por escrito.

Repare-se, desde logo, que não é um cedro. É um cipreste. E chegamos assim à primeira qualidade desta árvore centenária: gozar com as pessoas. Sobretudo com aquelas que gostam de se fazer espertas em tudo, até em botânica. Quando dizemos que é um cedro-do-Buçaco, sem nos darem tempo de avisar que este cedro é um cipreste, atiram logo: “é um cedro, claro”. Mas dizem com tanto vigor que acabamos por saltar a parte em que dizemos que o cedro é um cipreste.

- Publicidade -

E avançamos então para a segunda qualidade desta árvore, que é continuar a gozar com as pessoas. Tudo graças ao seu nome científico, Cupressus lusitanica, que leva naturalmente a crer-se numa origem lusitana. Pois vem do México. Está uma árvore no Príncipe Real a gozar com quem passa, há 150 anos. Tanto que, as grades que hoje em dia a protegem, não sei se não é para o caso de alguém se passar com a brincadeira e ir pedir explicações ao cedro-do-Buçaco que nem é cedro nem do Buçaco. Já agora, também não fica no Jardim do Príncipe Real, porque o nome oficial é Jardim França Borges. Isto parece aquelas crianças que não sabem parar, mas a verdade é que é tudo mentira no Príncipe Real. Hoje em dia, por exemplo, o preço por m2 também parece mentira.

Adiante. O cipreste terá sido plantado depois da construção do Patriarcal (1864), que é o depósito que ali está (por baixo) e que fazia a distribuição de água do aqueduto para a baixa da cidade. Há uma explicação mais técnica, e também mete uma catedral que ardeu (literalmente), mas este resumo chega se for só para fazer conversa. Para um mestrado é melhor procurar mais informação.

Quando o cipreste-gozão nasceu, reinava D. Luís l, que se chamava, na verdade, Luís Filipe Maria Fernando Pedro de Alcântara António Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis João Augusto Júlio Valfando. Por isso havia um decreto real que condenava à pena perpétua quem pedisse o nome completo aos reis. (Isto do decreto inventei.)

ARTIGOS RELACIONADOS
- Publicidade -

Últimas