INEM demora 8 minutos a atender chamadas, quando atendem estão mais nervosos do que as vítimas, que tentam acalmá-los

O INEM chega a demorar 8 minutos para atender as chamadas de emergência, isto quando o tempo recomendado é de 7 segundos. O mês de Junho foi particularmente difícil, com muitas chamadas a perderem-se. 

“Eu às tantas desisti, estava a ligar só porque estava sem conseguir mexer todo o lado direito do corpo, para além de ter começado a falar fluentemente alemão, achei melhor ligar, mas não atenderam e eu entretanto também não podia estar mais à espera, tinha coisas combinadas”, relata Simplício, que tentou contactar a emergência médica no mês passado. 

Se para os doentes é uma espera grande, para os técnicos do INEM, na sala de controlo, o stress é enorme ao verem que não estão a conseguir dar resposta. Tanto que, quando finalmente conseguem atender a chamada, estão mais nervosos do que as próprias vítimas, que tentam acalmá-los. 

“Vai ter de ter calma e perguntar-me as coisas devagar para eu compreender…”, afirmava Simplício, ao telefone com o INEM, segundos depois de ser atropelado por uma trotinete na baixa. “Mas eu não consigo ter calma, isto não pára de tocar, são muitas chamadas, muitas chamadas, olhe, estão a entrar mais, estão entrar mais, precisamos de ajuda, depressa”, gritava apenas a técnica do INEM.

“Minha senhora, eu levei com uma trotinete, sendo que o turista pesava cerca de 120 quilos e vinha a 40 quilómetros por hora. Fui então arremessado para o outro lado da via, de onde vinha o quê? Um tuk-tuk, exactamente. Também me apanhou. Fui então arremessado novamente para o outro lado da via, de onde vinha o quê? Exactamente, o autocarro que mergulha no rio. Novamente projectado, sou então apanhado por uma bicicleta partilhada… estou há mais de vinte minutos a ser a batata quente de todos os veículos de animação turística, por favor, tenha calma e deixe-me explicar-lhe a minha situação”, tentou explicar, com calma, o sinistrado. 

“Mas eu não consigo estar calma! Isto não pára de tocar!”, continuava, porém, a técnica do INEM. O homem acabaria então por desligar a chamada e deslocar-se até um hospital na trotinete que o atropelou.