Quarta-feira, Julho 3, 2024
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Em princípio, ninguém quer saber o que estava a fazer, nem onde, no 11 de Setembro

Só se deve contar se alguém perguntar, algo que nunca aconteceu.

Um estudo da London School of Interestings para o Imprensa Falsa concluiu que, em princípio, ninguém quer saber o que estava a fazer, nem onde, no 11 de Setembro. Rigorosamente zero pessoas têm interesse na sua história no dia em que o mundo mudou.

Parece ser irresistível. Nós estávamos na redacção. Pelo menos os estagiários, porque o director ainda estava a dormir. Em Lisboa eram duas da tarde, mas o director usa sempre o fuso horário do local da notícia. Por isso é que quando são coisas que sucedem em Bragança ou no Sabugal, por exemplo, ele chega aí às três ou quatro da tarde e nem fala.

Mas foi isso, estávamos na redacção, chega o telex da Lusa e pensámos que era a brincar. Tanto que enviamos nós um telex para a Lusa a dizer “sim, e um cruzeiro embateu na Torre das Amoreiras”, ao que eles respondem “nós estamos a trabalhar” e então percebemos que era a sério.

Falamos ao director, que nos diz que o 11 de Setembro não é suficientemente grave para o acordarem e desliga. Nisto, um dos estagiários que entretanto se reformou – já na altura tinha mais de 30 anos de estágio – diz-nos “temos de arrancar já para Campolide”, porque pensou que eram as Twin Towers aqui de Lisboa.

A gente arranca, chega lá e nada, as torres impecáveis. Voltamos para a redacção e publicamos que se trata de um boato. Entretanto, mandamos um telex para a Lusa a dizer que deviam ir “mamar na quinta pata do cavalo”, que na altura caiu muito mal, ainda hoje não nos enviam nada. Já escrevemos a dizer que foi um mal entendido, mas nada.

Só soubemos do 11 de Setembro quase um ano depois. Diz-se que o mundo mudou nesse dia, mas as grandes mudanças foram sobretudo no nosso jornal, porque o director, que entretanto tinha chegado à redacção, diz que precisa de arranjar uma forma de justificar o nosso erro. É nesse dia que passamos a jornal satírico, até porque já não estávamos a receber nada da Lusa, excluindo ou um outro telex com um manguito desenhado.

Voltando ao estudo, os investigadores chegaram à conclusão de que as histórias pessoais daquele dia não têm qualquer tipo de interesse para os interlocutores, ainda que eles aparentem estar interessados em ouvir e cheguem mesmo a dizer “hã-hã” ou “a sério!?”. O mesmo estudo concluiu que 10 em cada 10 vingam-se e começam a contar também a sua própria experiência.

“O ideal, nestes casos, é contar apenas o que se estava a fazer no 11 de Setembro se alguém perguntar expressamente, algo que nunca aconteceu”, conclui o Dr. Simplicy, da London School of Interestings.

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